quarta-feira, 10 de abril de 2019

A caridade está correta?


O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

Questão 886 - Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
Resposta: Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

Reflexão

Quando falamos em caridade, a primeira ideia que costumamos ter é a de não cobrar de outras pessoas pelo atendimento a elas prestado. Isso é quase que um mantra popular. No entanto, notem que a definição acima, contida em uma obra fundamental sobre a qual se debruça o Espiritismo, não menciona nada a respeito da presença ou ausência da troca de valores financeiros para que seja caridade ou deixe de ser.

Há muitas pessoas que não são propriamente benevolentes, muito menos indulgentes (julgam as imperfeições alheias constantemente, inclusive dentro de centros espíritas, terreiros ou igrejas) e tampouco aprenderam a perdoar, mas acreditam piamente que praticam a caridade, pelo fato de encontrarem-se na condição de trabalhadores voluntários em alguma casa de oração.

Tenhamos em mente que, quando "O Livro dos Espíritos" foi escrito, dando início à toda a codificação do cientista que utilizava o pseudônimo de Allan Kardec (isso mesmo, este não era o nome verdadeiro dele), ainda não existia uma religião chamada Espiritismo. O que se tinha em mãos naquele momento era uma obra científica e filosófica, dentro da qual, nesta questão 886, procurou-se compreender o verdadeiro sentido da palavra caridade, conforme entendida por Jesus.

Repito: a mensagem trazida pelos espíritos nada teve a ver com troca de valores financeiros, mas claramente com valores humanos, que não raramente são esquecidos pelos que se autodenominam caridosos!

Quando tentamos definir a caridade de forma simplória como o ato de "não cobrar", nos esquecemos de qual deve ser o comportamento adequado para que possamos dizer que somos de fato caridosos. Trabalho voluntário em contexto religioso não é necessariamente caridade, pode ser inclusive a forma de muitos simplesmente ocuparem o seu tempo, sem o sincero desejo de promover a reforma íntima necessária, para oferecer o valor humano exigido naquele local.

Retomando a definição e o propósito inicial de Allan Kardec, inclusive, podemos dizer que nem mesmo é imprescindível a religião para existir a caridade e que a troca de valores financeiros pode ser vista como relativa neste processo.

Tenhamos em mente que nos encontramos em um mundo material e há despesa para tudo, incluindo, obviamente, necessidades básicas. Para que exista uma estrutura com as mínimas condições de funcionar para atender as pessoas, há um valor financeiro envolvido. A troca dos devidos valores humanos não, esta é absolutamente necessária, pois isto de fato define a caridade.

Somos caridosos com alguém quando nos colocamos no lugar do semelhante, compreendendo a sua dor e fazendo por ele o melhor que pudermos a fim de ajudá-lo em sua jornada e aliviando a sua carga. É isso. Vale repensar, vale refletir.

Leandro Roque

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